Riscos para o Brasil

Os dados da pecuária brasileira foram desviados de seu uso oficial: entenda como. Abaixo são apresentados os custos que esse desvio impõe ao Brasil.

  1. Febre Aftosa. Ao saberem sobre o desvio de seus dados, é de se esperar que alguns pecuaristas passem a fornecer dados menos fidedignos. Uma queda na qualidade dos dados aumenta a chance de um foco de febre aftosa. A consequência é um maior risco para a economia, para a saúde pública, e para a segurança alimentar brasileiras. O vazamento de dados prejudica, portanto, o Programa Nacional deErradicação da Febre Aftosa e a transição de país para zona livre de febre aftosa sem vacinação. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento planeja começar essa transição em 2019 e completá-la em 2023. Somente em termos econômicos, o custo do surto de febre aftosa no ReinoUnido em 2001 foi estimado em US$ 11 bilhões mais o sacrifício de seis milhões de animais. No Uruguai, esse custo foi de US$ 730 milhões, além de 20 mil animais abatidos. Somente no estado do Kansas (EstadosUnidos), em 2002, o custo foi de US$ 50 milhões.

  1. Competitividade. O vazamento de dados comerciais prejudica a competitividade da pecuária brasileira. Por exemplo, o volume diário de abate de cada planta frigorífica fica exposto aos competidores; o volume de compras e vendas, bem como a lista de compradores e vendedores de propriedades pertencentes a todo e qualquer indivíduo, também ficam expostos. Atualmente, as informações dos pecuaristas brasileiros estão armazenadas em múltiplos servidores estrangeiros, com risco crescente de vazamento dos dados.

  1. Privacidade. O acesso à GTA permitiu que os pesquisadores construam ‘algoritmos’ que podem ser aplicados em inúmeros contextos fora da pecuária. Com eles, é possível identificar um pecuarista em bases de dados completamente independentes como o Cadastro Ambiental Rural (que é público), a GTA, listas de embargos do Ministério do Meio Ambiente, ou informações da Receita Federal. Fazer a ligação entre distintas fontes de dados permite um monitoramento minucioso de indivíduos e empresas. No Brasil, devido aos impedimentos legais, as autoridades policias, o Ministério Público Federal, e outras agências governamentais não possuem esse tipo de tecnologia. Os algoritmos já existentes e atualmente sendo aperfeiçoados com financiamento de uma Universidade dos Estados Unidos podem ser aplicados a qualquer fonte de dados brasileira com informações individuais (nomes, números de documentos). Uma vez construídos, esses algoritmos operam independentemente dos dados originais.