Indústria do abate bovino

Mapeando os frigoríficos do Brasil, passado e presente

Desafio. Identificar a evolução histórica da indústria frigorífica é fundamental para o entendimento da economia agrícola brasileira. Mas a dinâmica temporal e espacial dos frigoríficos no Brasil permece desconhecida devido à falta de dados. Sem informação detalhada sobre onde estão os frigoríficos, a quem pertencem, e quanto produzem, o Conselho Administrativo para a Defesa Econômica (CADE), por exemplo, não pode medir de forma precisa o grau de concentração do mercado de abate bovino.

Solução. Desenvolvemos um método para mapear a expansão e contração do setor frigorífico. O trabalho se baseou na mineração de grandes bases de dados que nunca foram usadas para este tipo de aplicação. Usando técnicas automáticas e manuais de correspondência de dados, pudemos triangular as informações das diferentes fontes e produzir a base de dados históricos mais detalhada atualmente existente sobre a indústria frigorífica.

As fontes de dados incluiram um cadastro com 21 milhões de empresas, registros governamentais com mais de três milhões de transações, e imagens de satélite de alta resolução. O nosso produto é o primeiro a incluir informações longitudinais e todos os tamanhos de frigoríficos.

Resultados. O trabalho cobriu 16 estados que representam 87% do território Brasileiro e 80% do abate bovino. Identificamos 2.602 plantas históricas de abate bovino das quais 1.626 estavam ativas em 2017 (214 com selo de inspeção federal, 209 com selo estadual). O frigorífico mais antigo de nossa base de dados foi registrado em 1931 no Pará. Os dados estão sendo utulizados para construir um melhor entendimento da indústria frigorífica no Brasil em seus aspectos econômicos e socioambientais. Uma versão desidentificada dos dados de Mato Grosso está disponível online. Exemplos de aplicações são a determinação da taxa de abate não inspecionado, a determinação do grau de concentração da indústria, e o estudo da relação entre frigoríficos, pastagens, e desmatamento.

Confidencialidade. Os dados gerados permanecem confidenciais e de uso estritamente científico. Uma versão desidentificada da base de dados está disponível aqui.

Mato Grosso

A planta frigorífica mais antiga foi registrada em 1967. Os resultados mostram que 72 plantas operavam em 2016 por meio de 52 empresas. A densidade de plantas ativas relativamente às áreas de pastagem cresceu 29% em 2000-16, demonstrando uma expansão da infraestrutura de abate. Identificamos três períodos de expansão: 1967-95, com 15,1% das aberturas de plantas; 1996-2003, com 24,6%; e 2004-16, com 60,3%. Ao passo que os fechamentos ocorreram provavelmente durante todo o período estudado, não houve dados para fechamentos anteriores a 2002. Estimamos em 2-3% o volume de abate não-inspecionado para sanidade alimentar em 2013-2016.